28 de abril de 2011

Sem vontade de cantar uma bela canção...

Oi meninas, tudo bem?!

Tenho notado que muitas meninas andam desmotivadas, o que me entristece muito.
Não sou do tipo de pessoa, que fica se dando como exemplo de perseverança, e etc. Mas sinto que um pedacinho da minha história, do que passei, pode ajudar algumas.
Eu já publiquei aqui um pouco da minha vida. Mas vou entrar em um tempo mais específico;

Goiânia!

A Adriana foi uma pessoa que conheci pela internet. Eu devia ter uns 15 anos, quando ter blog, era moda. Começamos a conversar por MSN, nos divertíamos pra caramba! Cogitamos inúmeras tentativas de ela vir me visitar. E os anos foram passando. E quando eu já estava morando com a Maria Laura (leia o post no link acima), estava numa situação de desespero, não conseguia emprego, queria estudar, e passar na UFG (Universidade Federal de Goiás), a Adriana me liga dizendo que viria para Campinas.
Expliquei a ela tooooooooda novela, que eu tava morando sozinha. No mesmo momento ela disse; "Vem pra cá! O que você está esperando! Você fica aqui em casa, já arruma trabalho logo, começa cursinho especializado na UFG...”
Era a pulga que estava atrás de minha orelha pulando. Pensei, pensei e pensei.
Muitos, inclusive meu pai, me dizia que eu ia quebrar a cara, que não ia dar certo.
Pensei; "Tenho emprego? Não. Tenho faculdade? Não. Tenho algo a perder? Não."
Fui! 13 horas e meia de viagem de ônibus, e uns R$400,00 no bolso.
A Adriana foi me buscar na rodoviária, demos um longo abraço, e eu não acreditava que estava lá.
O começo foi legal, ela me levava para todos os cantos junto com ela, me apresentou os amigos. E aí virou problema. Por quê? Porque sempre tem aquela amiga de anos, que você planejou dividir um apezinho quando fossem maiores de idade. E ai surge uma menina, do NADA, e vai realizar os seus planos com sua melhor amiga... Ciúmes!
Aos poucos, fui sendo deixada de lado. E sério, só percebi quando eu passava horas arrumando o cabelo da Adriana, fazendo maquiagem nela, e ela nem por educação me convidava para ir junto.
Comecei a trabalhar claro, e estudar também! Por inúmeras vezes eu cheguei a casa dela mais de 11 da noite (cursinho acabava as 22h45minh) e o portão estava trancado, e mesmo esgoelando, ninguém abria. Tinha que ligar a cobrar para minha vó em Campinas, para ela ligar na casa, e pedir para alguém abrir o portão para mim.
E como eu dormia num quartinho fora da casa, eu chegava e a casa já estava trancada, ou seja, não tinha como usar banheiro, e principalmente, comer. Comida era algo que com o tempo eu via que não faziam para eu não comer. Durante a semana, tudo bem. Eu almoçava no trabalho, eles forneciam uma comida muito boa e eu podia comer a vontade. À noite eu comia algo no cursinho, um salgado ou coisa assim, mas só quando eu tinha dinheiro. Porque quando não tinha, não tinha como comer também.
Aos finais de semana, na casa onde eu morava, eles não faziam nada de comida, justamente por eu estar lá. E não morava de graça não viu? Eu pagava R$150,00 por mês para a mãe da Adriana. Ok, não é muito mesmo. Mas banho, eu tomava sempre no gelado, porque eles desligavam o chuveiro para eu tomar banho, isso quando eu tomava banho no chuveiro, porque muitas vezes tomei banho escondida de mangueira no quintal mesmo. Minhas roupas eu tinha que comprar o meu sabão para lavar. Comida; eu não comia. Energia, nem tinha como eu gastar, celular eu não tinha, televisão eu via, banho era com chuveiro desligado...
Então eram R$150,00 reais para que eu tivesse onde dormir.
Esse quarto também era um nojo! Eu sempre tentava deixar ele mais arrumadinho, limpinho... Mas era bem simples, eram paredes e telhado, não tinha laje, ou um forro no teto.
Um dia de manhã estava me trocando para ir trabalhar, e ouvi um barulho perto do telhado, quando olhei era uma ratazana, enorme, horrenda, andando no beiral da parede. Sai correndo, e já fui logo pro trabalho. Antes disso, avisei a dona da casa sobre, e pedi a ela gentilmente que me ajudasse, e tentasse tirar aquele bicho de lá.
Adivinhem? Cheguei à noite, a casa toda trancada, fui entrar no quarto, acendi a luz, e o bicho tava lá ainda.
Fui à porta da cozinha, bati. Bati, bati, e ninguém me atendeu, nem sequer responderam aos meus chamados. Sentei no chão e comecei a chorar, como uma criança.
Pensando; "Meu Deus, por quê? Porque isso? Porque me tratam assim?"
Nisso, ouço o chuveiro ligado. Corri na janela do banheiro, e pedi para que a dona da casa abrisse a porta e me deixasse dormir na sala, porque o rata ainda estava lá. "Ahhhh Laís, cria vergonha, o rato não vai te comer não. Vai dormir!"
Obvio que eu não ia dormir no mesmo lugar onde tinha um rato daquele tamanho. Fui para a garagem, onde tinham duas cadeiras, e a coberta do cachorro no chão. E foi ali que dormi. Naquelas duas cadeiras, e com aquela coberta.
Quando a Adriana chegou de manhã de algum bar que ela tinha ido, ela me acordou e perguntou o que tinha acontecido para e estar ali.
"Tem uma ratazana no meu quarto, e pedi pra sua mãe me deixar dormir na sala, ela não deixou."
A resposta veio certeira; "E um rato vai te comer? Cria vergonha na cara!"
Depois de 5 anos, eu ainda não sei como descrever o que senti naquela noite.
O tempo foi passando, e eu fui percebendo que sim, eu estava quebrando a cara!
Fiz algumas amizades no cursinho, mas nada que me ajudasse.
Cada dia que passava eu ia sentindo mais raiva da Adriana e da mãe dela. Era ódio. Ódio, de ter sido enganada, de ter sido tratada assim. Dessas e de outras humilhações que passei.
Até que resolvi por um ponto final e voltar o quanto antes para Campinas.

Se me arrependo?! JAMAIS! Não, eu não gosto de sofrer. Mas eu me conheço, e sei como eu seria frustrada até hoje, ao pensar no "se". Se eu tivesse ido, será que não teria sido melhor?
Escolhi passar por essa experiência. E passei. Sobrevivi. Voltei da mesma maneira que fui. Uma mão na frente e outra atrás. Malas mais vazias, quilos a menos, um anel de brilhante que ganhei de 15 anos da minha madrinha penhorado.
Mas tem uma bagagem, que essa voltou muito pesada, muito cheia! A bagagem do aprendizado.
Não conseguiria enumerar o tanto que aprendi com isso. Aprendi que devemos ser mais humanos com as pessoas, saber que nosso calo dói, mas que teve momentos que doeu muito mais. Saber reconhecer o que é o verdadeiro sentido da palavra amizade, o quão importante é isso nas nossas vidas.
Mas teve um aprendizado em especifico, que esse eu utilizo todos os dias; Não importa, se você vai ou não quebrar a cara. Pode ser que sim, pode ser que não. Mas mesmo vivendo uma experiência tão dolorosa como foi a minha, vi que eu não tenho limites para mim. Eu me permito viver. Eu me permito viver novas experiências. Eu me permito estar preparada para as dores e os amores. Não importa o que os outros falam; o que importa é o que eu acredito, e o que eu quero.
Não sei ainda onde quero chegar, mas saber o que quero hoje é o que importa!
E o mais importante é que dentro de tantas permissões que tenho me dado, o único impedimento que coloco a mim é; Não deixar que pessoas me desmotivem. Só eu sei o tamanho da minha capacidade. Só eu sei o que agüento ou não. Só eu sei o que eu realmente quero, e sei lutar por isso.
Dentro de todas as batalhas da vida, a desmotivação por parte de outros é a mínima! Há muitas outras batalhas dentro de você, para se deixar levar por influência de outros.

Se você acredita em algo. Lute! Vá atrás! Não importa o que os outros dizem! O que importa é você!

Bjos

9 comentários:

  1. Excelente post, digno de um comentário!
    Amiga que bagagem tu tens heim ;)
    Quantas coisas tu já passou, quantas experiências e aprendizados maravilhosos tu já acumulou e que levarás para o resto de sua vida!
    Adorei quando li o único impedimento que coloco a mim é; Não deixar que pessoas me desmotivem. Só eu sei o tamanho da minha capacidade. Só eu sei o que agüento ou não. Só eu sei o que eu realmente quero, e sei lutar por isso.
    Eu sei o tamanho da minha capacidade e o da sua tbm ;) Sei que você será uma excelênte au pair, mulher, mãe e amiga!
    Te adoro demais....... e vou sentir muitas saudades de ficar conversando com você todos os dias no skype e no facebook. Mais devo me lembrar que logo logo vc estará na terrinha do tio Sam tbm e se Deus quiser morando pertinho de mim.
    muitosss bjss

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  2. Eu sabia que não tinha passado por apuros.. mesmo tento passada por alguns apertos..
    Mas isso q vc contou.. nossa.. vc realmente foi guerreira de crescer desse jeito!!
    Acredito mais, que pra ti o ano de au pair vai poder até ser fácil!

    Bjs e fé!! Q tudo aquilo q conseguimos e passamos, só a fé sustenta!

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  3. vc eh foda! já falei isso neh!?!
    Dias melhores estão por vir amiga, relaxa!

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  4. Caramba to pasma, como existe pessoas assim,afff, mas que licao de vida, adorei...Lais..bjos

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  5. Obrigada por compartilhar um episódio da sua vida (que não foi dos melhores) conosco. Gostei da maneira como fechou o post. De verdade, parabens pela superação e pela perseverança...

    Por isso que eu sempre digo : os momentos difíceis servem para nos fortalecer.

    Bjuuu Laiss

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  6. Nossa... que história hein! Oo
    Acho que se fosse eu tava lá até hoje sofrendo... ahahhahaha sou mto boba e "enganável"... confio cegamente mas já tomei tanto (não nesse grau) que ja desisti de confiar nas pessoas...

    ;***

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  7. siiim eu tava com os zóin chei d'agua ao ler teu post.. pq m identifico com a tua trajetória de vida e a labuta danada que passamos pra ser o que somos hoje.. perseverantes! Te admiro mulher!

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  8. Laiiis! Que encrenca viver isso hein! mas o que importa mais nisso tudo é SUPERAR a situação e a si mesma!O processo Au Pair é uma constante superação para todas nós! Ótimo post e Parabéns por já ter uma bagagem tão grande de vida! Beeeijos, Mab.

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  9. Lais,

    estava precisando disso, viu?!!! Nossa tô num ,ega desanimo, não consigo resolver a parada com minha agencia, nem com a APC

    Obrigada por dividir sua história!!!
    Beijocas!!!!

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